Especial Watchmen (parte 2 )
N a parte 1 do especial do Watchmen eu contei um pouco sobre a historia da hq e do filme de Watchmen.nesse especial eu estarei trazendo uma entrevista com o criador de Watchmen, Alan Moore, publicado pela revista WIRED.
tirado de orider.blogspot.com
Wired: Qual é o significado do Superherói? O que há de interessante em sua iconografia ou em seus arquétipos?
Alan Moore: Eu não acho que haja realmente algo interessante neste momento. Eu realmente não acho muito interessante o herói como um arquétipo. Estive distante de todo este conceito ate agora, mas comecei a refletir sobre isso.
E me correu que o superherói só tem origem nos EUA. Esse parece ser o único país que produziu este fenômeno. Sim, tivemos uma porrada de super heróis americanos originários do nosso país e possivelmente de outras partes do mundo, mas eles não são naturais para nosso ambiente. Eles são uma espécie exótica. E eu pensei e me questionei o por que disso. E eu pergunto ( talvez isto seja demasiado simplista ), não sei, mas me pergunto se a raiz do surgimento do herói na cultura americana poderia ter algo a ver com uma espécie de relutância original dos americanos em intervir em confrontos sem uma maciça superioridade tática. Quero dizer, a expressão 7 / 7 ( ele se refere ao atentado terrorista no sistema de transportes de Londres que ocorreu em 7 de julho de 2005, Nota do Tradutor ) significa algo para você ?
Wired: Claro.
Moore: Por ocasião dos atentados de 7 / 7 , foi anunciado alguns dias mais tarde que, logo que os primeiros dois trens haviam explodido, todas as forças Americanas que estavam em Londres foram levadas à distância segura pela auto-estrada M25. Após alguns dias, quando eles perceberam que era seguro voltar a Londres, eles também perceberam que pegaria mau, tipo sair correndo para fora da cidade, ao primeiro sinal de qualquer problema, quando o principal motivo para o ataque terrorista foi o apoio da Inglaterra a América na guerra do Iraque.
Me parece que a maciça superioridade tática pode ser uma chave para o fenômeno superherói . Isso por que em uma situação militar, se você tem bombas pra jogar do alto, é o equivalente a ter vindo de Krypton como um bebê e ter ganho força incomum e a capacidade de voar devido à menor gravidade da Terra. Não sei, isso pode ser uma interpretação simplista, mas essa é a maneira que eu sou levado a ver os superheróis hoje.
Wired: Quando você estava trabalhando em seu ultimo material para a DC, ainda tinha os jovens como publico alvo?
Moore: Até o final da minha atuação original na DC eu era muito jovem, e ainda seguia os planos que tinha traçado quando era uma parte do fenômeno da explosão do gibis na Inglaterra na década de 1960. Acho que foi em 1967 provavelmente que houve a primeira convenção de quadrinhos britânica, e isso foi muito influenciado pelo espírito daquela época, que era muito inovadora. Como nas convenções americanas, que tinham começado algum tempo antes, eu acho que havia um elemento de nostalgia que se inseria nesse fenômeno desde o início. Aqui também tinha isso com certeza. Mas como disse, foi a década de 1960. A maioria dos fãs de quadrinhos que eu conheci na época eram proto- hippies de 14 ou 15 anos , como eu era. Eles estavam muito interessados no espírito inovador daquela época .
Então, havia um plano que seguiamos. Pensavamos que seria uma grande idéia se os quadrinhos pudessem ser reconhecidos como uma grande mídia que nos secretamente sabiamos que eles eram. E quando digo "nós", estou falando de 50 pessoas que apareciam no início dessas convenções, que era a soma de toda a gente deste país que já tinha ouvido falar de quadrinhos americanos. Naquela época a nossa idéia inovadora era : Não seria ótimo se as pessoas que fossem se envolver com as histórias em quadrinhos pudessem torna-las mais adultas, mais maduras, e mostrassem que tipo de temas poderiam ser tratados? Então essa era a meta que, 20 anos mais tarde, eu ainda seguia, no final da minha atuação na DC.
Wired: Você teve problemas não só da dificuldade de adaptação, mas também o de ter sofrido por algumas adaptações muito ruins.
Moore: Eu nunca assisti a nenhuma das adaptações de meus quadrinhos. Eu nunca quis, e não há absolutamente nenhuma chance de fazer isso futuramente.Eu não tenho mesmo sofrido por eles, embora tenha havido uma certa quantidade de irritação e comportamento injurioso por parte da indústria de quadrinhos e do cinema pelo qual eu tenho sofrido. Mas eu já espalhei essa retórica amarga por ai. Tenho certeza que as pessoas podem procurar os artigos se assim desejarem.
Meus quadrinhos ainda são os mesmos que eram antes de serem transformados em filmes. Eles não foram alterados. Eu lembro de uma resposta, eu acho que foi Raymond Chandler, que foi questionado sobre o que ele sentia tendo seus livros "arruinados" por Hollywood. E ele levou a pessoa em seu estúdio e mostrou que todos os seus livros estavam na estante, e disse: "Olha, é ali que eles estão! E estão todos bem. Eles não foram arruinadas. Eles continuam lá." E eu acho que é bem essa a minha atitude. Se meus quadrinhos são tão bons como penso que são, então são eles que vão permanecer. E se os filmes são tão ruins como penso que são, então eles não vão permanecer. Acho que veremos isso no fim de tudo, que seja assim.
Wired: Pode ser mais específico sobre as coisas que os quadrinhos como uma mídia podem fazer melhor do que outras mídias?
Moore: Uma coisa é que com os quadrinhos, e isso foi provado - creio que por testes do Pentágono no final do anos 80 - que os quadrinhos são realmente o melhor meio para transmitir informações as pessoas de uma forma que elas irão reter e lembrar. Não é apenas eu que digo isso, é o Pentágono. Pessoalmente acho que - e isto é apenas baboseira pseudo-científica de um hippie - acho que deve ser assim porque a forma de percepção do que costumava ser chamado o nosso cérebro esquerdo é a palavra. Nosso cérebro esquerdo é o que processa o discurso e a racionalidade. A forma de percepção do nosso cérebro direito, pelo contrário, seria a imagem, porque o cérebro direito é pre-verbal.
Então talvez seja por causa da combinação de palavras e imagens em um formato legível que os quadrinhos tem esse poder único. Agora, evidentemente, os filmes são uma combinação de palavras e imagens, mas ela têm uma estrutura completamente diferente e uma forma completamente diferente de trabalhar. Nos filmes você é arrastado através da cena por implacáveis 24 fotogramas por segundo. Nos gibis você pode trazer de volta seus olhos para um quadro anterior, ou pode voltar um par de páginas para verificar se existe alguma referência na caixa de diálogo para uma cena que aconteceu anteriormente.
Você também pode gastar quanto tempo quiser absorvendo cada imagem. Isto é especialmente verdadeiro no caso de Watchmen, onde eu estava tentando tirar vantagem da brilhante capacidade de Dave Gibbons como um ex-engenheiro para a inclusão de uma incrível quantidade de detalhes em cada pequeno painel, para que pudéssemos coreografar cada pequena coisa. Os pequenos símbolos e sinais que aparecem no fundo, cada pequeno toque poderia ser coreografado ate o último detalhe, nós sabíamos que o público faria a leitura em seu próprio ritmo, e seria capaz de estudar cada painel e se ater nestes detalhes quase subliminares. Mesmo o melhor diretor do mundo, até mesmo uma pessoa tão talentosa como Terry Gilliam, não poderia reunir a mesma quantidade de informação em alguns fotogramas de um filme. Mesmo se o fizesse, passaria muito depressa. Porque o público em uma sala de cinema não controla a experiência da mesma forma que um leitor faz.
ate a parte 3 desse especial.]]
tirado de orider.blogspot.com
Wired: Qual é o significado do Superherói? O que há de interessante em sua iconografia ou em seus arquétipos?
Alan Moore: Eu não acho que haja realmente algo interessante neste momento. Eu realmente não acho muito interessante o herói como um arquétipo. Estive distante de todo este conceito ate agora, mas comecei a refletir sobre isso.
E me correu que o superherói só tem origem nos EUA. Esse parece ser o único país que produziu este fenômeno. Sim, tivemos uma porrada de super heróis americanos originários do nosso país e possivelmente de outras partes do mundo, mas eles não são naturais para nosso ambiente. Eles são uma espécie exótica. E eu pensei e me questionei o por que disso. E eu pergunto ( talvez isto seja demasiado simplista ), não sei, mas me pergunto se a raiz do surgimento do herói na cultura americana poderia ter algo a ver com uma espécie de relutância original dos americanos em intervir em confrontos sem uma maciça superioridade tática. Quero dizer, a expressão 7 / 7 ( ele se refere ao atentado terrorista no sistema de transportes de Londres que ocorreu em 7 de julho de 2005, Nota do Tradutor ) significa algo para você ?
Wired: Claro.
Moore: Por ocasião dos atentados de 7 / 7 , foi anunciado alguns dias mais tarde que, logo que os primeiros dois trens haviam explodido, todas as forças Americanas que estavam em Londres foram levadas à distância segura pela auto-estrada M25. Após alguns dias, quando eles perceberam que era seguro voltar a Londres, eles também perceberam que pegaria mau, tipo sair correndo para fora da cidade, ao primeiro sinal de qualquer problema, quando o principal motivo para o ataque terrorista foi o apoio da Inglaterra a América na guerra do Iraque.
Me parece que a maciça superioridade tática pode ser uma chave para o fenômeno superherói . Isso por que em uma situação militar, se você tem bombas pra jogar do alto, é o equivalente a ter vindo de Krypton como um bebê e ter ganho força incomum e a capacidade de voar devido à menor gravidade da Terra. Não sei, isso pode ser uma interpretação simplista, mas essa é a maneira que eu sou levado a ver os superheróis hoje.
Wired: Quando você estava trabalhando em seu ultimo material para a DC, ainda tinha os jovens como publico alvo?
Moore: Até o final da minha atuação original na DC eu era muito jovem, e ainda seguia os planos que tinha traçado quando era uma parte do fenômeno da explosão do gibis na Inglaterra na década de 1960. Acho que foi em 1967 provavelmente que houve a primeira convenção de quadrinhos britânica, e isso foi muito influenciado pelo espírito daquela época, que era muito inovadora. Como nas convenções americanas, que tinham começado algum tempo antes, eu acho que havia um elemento de nostalgia que se inseria nesse fenômeno desde o início. Aqui também tinha isso com certeza. Mas como disse, foi a década de 1960. A maioria dos fãs de quadrinhos que eu conheci na época eram proto- hippies de 14 ou 15 anos , como eu era. Eles estavam muito interessados no espírito inovador daquela época .
Então, havia um plano que seguiamos. Pensavamos que seria uma grande idéia se os quadrinhos pudessem ser reconhecidos como uma grande mídia que nos secretamente sabiamos que eles eram. E quando digo "nós", estou falando de 50 pessoas que apareciam no início dessas convenções, que era a soma de toda a gente deste país que já tinha ouvido falar de quadrinhos americanos. Naquela época a nossa idéia inovadora era : Não seria ótimo se as pessoas que fossem se envolver com as histórias em quadrinhos pudessem torna-las mais adultas, mais maduras, e mostrassem que tipo de temas poderiam ser tratados? Então essa era a meta que, 20 anos mais tarde, eu ainda seguia, no final da minha atuação na DC.
Wired: Você teve problemas não só da dificuldade de adaptação, mas também o de ter sofrido por algumas adaptações muito ruins.
Moore: Eu nunca assisti a nenhuma das adaptações de meus quadrinhos. Eu nunca quis, e não há absolutamente nenhuma chance de fazer isso futuramente.Eu não tenho mesmo sofrido por eles, embora tenha havido uma certa quantidade de irritação e comportamento injurioso por parte da indústria de quadrinhos e do cinema pelo qual eu tenho sofrido. Mas eu já espalhei essa retórica amarga por ai. Tenho certeza que as pessoas podem procurar os artigos se assim desejarem.
Meus quadrinhos ainda são os mesmos que eram antes de serem transformados em filmes. Eles não foram alterados. Eu lembro de uma resposta, eu acho que foi Raymond Chandler, que foi questionado sobre o que ele sentia tendo seus livros "arruinados" por Hollywood. E ele levou a pessoa em seu estúdio e mostrou que todos os seus livros estavam na estante, e disse: "Olha, é ali que eles estão! E estão todos bem. Eles não foram arruinadas. Eles continuam lá." E eu acho que é bem essa a minha atitude. Se meus quadrinhos são tão bons como penso que são, então são eles que vão permanecer. E se os filmes são tão ruins como penso que são, então eles não vão permanecer. Acho que veremos isso no fim de tudo, que seja assim.
Wired: Pode ser mais específico sobre as coisas que os quadrinhos como uma mídia podem fazer melhor do que outras mídias?
Moore: Uma coisa é que com os quadrinhos, e isso foi provado - creio que por testes do Pentágono no final do anos 80 - que os quadrinhos são realmente o melhor meio para transmitir informações as pessoas de uma forma que elas irão reter e lembrar. Não é apenas eu que digo isso, é o Pentágono. Pessoalmente acho que - e isto é apenas baboseira pseudo-científica de um hippie - acho que deve ser assim porque a forma de percepção do que costumava ser chamado o nosso cérebro esquerdo é a palavra. Nosso cérebro esquerdo é o que processa o discurso e a racionalidade. A forma de percepção do nosso cérebro direito, pelo contrário, seria a imagem, porque o cérebro direito é pre-verbal.
Então talvez seja por causa da combinação de palavras e imagens em um formato legível que os quadrinhos tem esse poder único. Agora, evidentemente, os filmes são uma combinação de palavras e imagens, mas ela têm uma estrutura completamente diferente e uma forma completamente diferente de trabalhar. Nos filmes você é arrastado através da cena por implacáveis 24 fotogramas por segundo. Nos gibis você pode trazer de volta seus olhos para um quadro anterior, ou pode voltar um par de páginas para verificar se existe alguma referência na caixa de diálogo para uma cena que aconteceu anteriormente.
Você também pode gastar quanto tempo quiser absorvendo cada imagem. Isto é especialmente verdadeiro no caso de Watchmen, onde eu estava tentando tirar vantagem da brilhante capacidade de Dave Gibbons como um ex-engenheiro para a inclusão de uma incrível quantidade de detalhes em cada pequeno painel, para que pudéssemos coreografar cada pequena coisa. Os pequenos símbolos e sinais que aparecem no fundo, cada pequeno toque poderia ser coreografado ate o último detalhe, nós sabíamos que o público faria a leitura em seu próprio ritmo, e seria capaz de estudar cada painel e se ater nestes detalhes quase subliminares. Mesmo o melhor diretor do mundo, até mesmo uma pessoa tão talentosa como Terry Gilliam, não poderia reunir a mesma quantidade de informação em alguns fotogramas de um filme. Mesmo se o fizesse, passaria muito depressa. Porque o público em uma sala de cinema não controla a experiência da mesma forma que um leitor faz.
ate a parte 3 desse especial.]]




































